Curiosidades

      A data exacta dos primeiros povoamentos no lugar da Agualva é desconhecida, sabe-se no entanto que é anterior a 1588, visto que nesta data, no dia 29 de Fevereiro, se deu a criação da paróquia e freguesia de Agualva por força do Alvará datado da mesma data. Mais tarde, em 7 de Agosto de 1590 é emitido um alvará régio que vem equiparar a paróquia de Agualva à paróquia de São Pedro, na freguesia próxima dos Biscoitos.
     Quatro anos mais tarde, no dia 3 de Fevereiro de 1594 é instituído por João Homem Guadalupe, numa ermida por ele mandada fazer, aquela que viria a ser a Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, nome que foi buscar ao nome do próprio fundador.
     Utilizando como campo de trabalho os registo paroquiais datados do 15 de Abril de 1623 é possível verificar-se que o nome do lugar “Agualva” em vez de Água Alva era já usado.
     Tal como se verifica numa carta de Pêro Anes do Canto que se encontra datada do dia 16 de Agosto de 1552 que este mandou ao então rei de Portugal e cujo documentos originais se encontram arquivado na Torre do Tombo, são usados as referências do lugar nos seguintes termos: “Senhor - Eu tenho humas erdades n’esta Ilha Terceyra onde chamam Aguaalva e Lages...”. Atenção ao termo Aguaalva em que as palavras água e alva se encontra na forma aglutinada.
     A data mais provável para a completa independência desta freguesia é apontada como o último quartel do século XVI. Surge num registo de baptismo cuja data é do dia 8 de Dezembro de 1607, em que foi baptizada uma menina de nome Vitória, na já Igreja Paroquial do Espírito Santo, registo esse que informa que os pais eram oriundos da freguesia de Nossa Senhora do Guadalupe. É importante, também referir que actualmente toda a área que compreende a freguesia de Agualva, era outrora curato da Freguesia de Vila Nova.
     A história desta freguesia está, como não poderia deixar de ser intimamente relacionada com a do concelho a que pertence e com a da ilha em particular. Foi o caso da Batalha do dia 27 de Julho de 1583, em que saiu vitorioso o então Marquês de Santa Cruz, e que teve como grande derrotado exército francês que no entanto se entrincheirou no lugar do Moinhos da Agualva e que causou grandes problemas pela localidade.
     Usando como base militar pelo exército francês durante algum tempo devido ás boas condições ali encontradas, particularmente abundância de boa água e alimentos.
     Para terem um sítio bem fortificado, as tropas francesas deram início à construção de uma muralha. Muralha essa cujos vestígios ainda nos dias de hoje se encontram na Rua dos Moinhos.
     Este período de guerras só terminou com a chegada de um representante do Governo francês que veio à ilha com o objectivo de poupar a vida aos franceses. Situação que se veio a verificar.
     Anos mais tarde foram encontradas muitas peças de prata enterradas no local denominado Quinta de Santa Maria Madalena, levando este achado a crer que tenham sido escondidos ou por parte das tropas, tendo estas saqueado as pratas em algum lugar da ilha por onde passaram ou então terem sido escondidas por alguém da localidade para evitar o roubo, sendo no entanto de estranhar o porquê da sua não recuperação quando as tropas abandonaram a localidade.
     No dia 11 de Setembro de 1813 uma calamidade natural arrasou parte substancial desta freguesia. Uma grande inundação em forma de aluvião trazendo lamas e pedras desceu das serras sobranceiras ao povoado causado grande destruição.
     Novamente no dia 15 de Junho de 1841, esta freguesia esteve sob acção das forças naturais, desta vez como forma de um terramoto. Aquele que ficou conhecido na história dos Açores como a Caída da Praia.
     Mais recentemente, na década de sessenta do século XX, novas inundações causaram grandes estragos nesta localidade, desta vez tendo destruído parte da muralha dos franceses na Rua do Moinhos
     O grande terramoto que em 15 de Junho de 1841 que destruiu a Vila da Praia da Vitória. Fez nesta freguesia grande destruição que nós chega referida por Félix José da Costa Júnior da seguinte forma: “Agualva tem (tinha na altura) 267 fogos e 1186 almas. Teve duas casas com total ruína, e 30 gravemente arruinadas. (…) A torre do sino da igreja inclinou toda ao lado norte. (…) Acima do lugar do Outeiro do Filipe em todos os cerrados caíram as paredes divisórias em grandes lances, como eu observei no dia 4 de Julho, quando atravessei aquelas campinas para examinar as ruínas”